2008-07-26 04:50:57
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O Zen e a arte cavalheiresca da programação orientada a objeto (Parte 23)

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Ah, os iterators. Iterators, meus amigos. Como vários outros conceitos desta enigmática arte da programação orientada a objeto, os iterators são quase incompreensíveis para gente como eu - cujo único treinamento foi nas ruas, entre códigos incompreensíveis, brigas de puxar cabelo e gambiarras que mais pareciam aquelas geringonças que os vilões de desenho animado inventam para eliminar seus inimigos (quase sempre sem sucesso, é claro).

Ainda não posso dizer que entendo os iterators em toda sua grandeza. Seus significados ocultos ainda me deixam perplexo de tempos em tempos. Mas que exercícios intelectuais fascinantes eles podem nos proporcionar! Que enigmas incríveis eles nos reservam, que tesouros escondidos!
Se você ainda está lendo, acho que consegui prender sua atenção com estas baboseiras. Vocês jovens precisam de um pouco de nonsense pra prestar atenção nas coisas. Enfim. Iterators.
Pra resumir: Iterators "pegam" uma coleção de objetos e permitem que você faça operações com cada um eles. Vou dar um exemplo, porque esse conceito sempre foi pra mim muito difícil de entender. Digamos que você seja um comerciante libanês. Na sua lojinha, que fica ali na S.a.a.r.a., você vende tudo, desde açafrão em pó até relógio digital. Depois de comer 15 esfihas, folha de uva, coalhada seca, arroz com lentilha e 3 caftas no Cedro do Líbano, você resolve fazer uma contagem do estoque. Sabe como é, nesses dias de hoje, não dá pra confiar. Aí você chama o seu gerente de eletrônicos, o Sr. Salim e fala o seguinte:

- Ô Salim! Pra cada relógio aí do estoque faz o seguinte: vê se o ponteiro tá mexendo, depois vê se tá arranhado e aí coloca na caixinha de novo. Depois você me diz quantos estão bons!

Muito bem. Qual é o grande problema deste approach, caro Amir? Qualquer comerciante libanês sabe - se eu tenho que dizer tudo o que o Salim tem que fazer, pra que diabos eu tenho um gerente? E se eu tiver 15 gerentes, imagina o tempo que eu vou perder pra explicar pra cada um como ver se o produto está bom?
O que você quer, meu caro amigo mercador, é perguntar quantos estão bons, e o seu gerente te responder, independentemente de qual linha de produtos ele gerencie. Sem que você precise explicar tudo toda hora.
Deu pra sacar a diferença? Agora, um exemplo muito prático que todo mundo usa pra explicar a utilidade dos iterators em php:
Imagine que você tem um site que pega dados de três tipos de fontes diferentes: arrays, banco de dados e diretórios no servidor. Assim:


/* array */
foreach ( $relogios as $relogio) {
     // faz alguma coisa com $relogio
}

/* MySQL */
while ( $tempero = mysql_fetch_array($result) ) {
     // faz alguma coisa com $tempero
}

/* Diretorio */
while ( false !== ($brinquedo = readdir($dir)) ) {
     // faz alguma coisa com $brinquedo
}

?>

Olha para esses caras aí em cima. Não dá pra sentir que tem alguma coisa parecida entre eles? Então, imagine que você quer pegar o nome de cada um desses caras aí em cima e imprimir na tela. Isso mesmo, você quer pegar o nome tanto dos relógios que estão no array, quanto dos temperos que estão no banco de dados e ainda dos brinquedinhos que são arquivos em um diretório no servidor.
O que você faz, meu caro? Coloca dentro de cada loop um print()? De jeito nenhum! Imagina se amanha você quiser mudar o formato da impressão, vai ter que mudar 3 vezes! Ou pior, imagine se a sua loja tiver 469 tipos de produto, o que é bem comum nessas lojas - Vai colocar 469 prints? Ah, já sei - você pensou que pode simplesmente fazer uma função para imprimir e colocar dentro de cada loop! Cuidado! meu caro, você está flertando com o diabo! Você está se afastando do sagrado caminho da OOP! Comece a colocar código que não é realmente a função da classe dentro dela e em breve você estará deitado numa cama de pregos, tostando lentamente no fogo do inferno!
A solução, meus caros amigos, é muito bonita. Senhores, apresento-lhes os Iterators!

$itens['brinquedos'] = new MeuDirectoryIterator($briquedos_diretorio); // aqui a fonte de dados é um diretório
$itens['relogios'] = new MeuArrayIterator($relogios_array); // aqui a fonte de dados é um array
$itens['temperos'] = new MeuMysqlIterator($temperos_query); // aqui a fonte de dados... ah, você já entendeu.

foreach($itens as $iterator){
    
     foreach($iterator as $item){
         print $item->getName();
     }

}
?>

Não é fantástico? Que magia existe nessas classes que permite tanta padronização? Vocês entenderam o que está acontecendo? Eu não preciso me preocupar com a forma dos dados! Vale tudo! Diretórios, arrays, resultados do Mysql, e se a gente quisesse, poderíamos incluir aí XML, YAML, enfim, vale tudo! Como assim! Isso é genial! Nunca mais vou repetir código novamente! No próximo capítulo da nossa série, vamos construir as classes MeuDirectoryIterator, MeuArrayIterator e MeuMysqlIterator e conhecer em detalhes este sensacional truque. Até lá, caro Amir!

3 Comentários:

[Fabiano M]  Muito bom! OOP, começo a sentir a arte de programar... Os ninjas. rs  [REPLY]

[Danilo]  Valeu Fabiano! Abraço grande e parabéns pelo site!  [REPLY]

[Emiliano]  Não li ainda, mas é um satisfação saber que mais um capítulo foi escrito!!!  [REPLY]