2007-11-22 01:44:13
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O Zen e a arte cavalheiresca da programação orientada a objeto (Parte 20)

O Zen e a arte cavalheiresca da programação orientada a objeto (Parte 20)

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Olá pessoALL. Estamos aqui mais uma vez pra falar de Orientação a Objetos de um jeito bem prático, utilizando o pattern MVC para exemplificar conceitos importantes. A linguagem escolhida, você provavelmente já sabe, é PHP. Então sinta-se à vontade, sente mais perto da fogueira que já vamos começar nosso papo.

Chegamos a um momento importante de nossa série. Vamos falar hoje do último vértice da tríade MVC, mais especificamente a classe View. Você lembra que deixamos a classe View por último por se tratar do conceito mais simples dos três? Muito bem, chegou a hora de ver se a coisa é tão simples quanto falamos.

Nossa classe base View terá a responsabilidade de imprimir nossas páginas HTML, juntando o conteúdo dinâmico obtido por nossos Controllers ao código que colocamos nos templates que criamos. Portanto, primeiro precisamos definir direitinho o que é um template dentro de nosso framework, já que existem inúmeras definições por aí.

Nossos templates serão páginas php especiais, contendo basicamente html, que vão ser utilizadas por nossa classe View para imprimir as páginas de nossas aplicações MVC na tela. Normalmente nestes templates vão conter todo o html básico da página e comandos PHP para imprimir as informações dinâmicas provenientes do controller, normalmente usando só algumas poucas funções do PHP como echo, print e foreach.

Um exemplo de template talvez deixe isso tudo mais claro. Imagine que já temos tudo pronto em nosso sistema de gerenciamento de blogs, e chegou a hora de fazer o template que mostra um post. O código deste template (muito simplificado, claro) seria algo assim:
<h1><?php echo $this->data['BlogPost']['title'] ?></h1>
<div class="post"><?php echo $this->data['BlogPost']['text'] ?>
</div>

Reparem que não precisamos incluir no template nenhuma informação de tipo de documento (DOCTYPE) ou mesmo a seção <head>. Nossa classe View vai colocar tudo isso automaticamente pra nós, de acordo com definições gerais que vamos colocar em outros arquivos, chamados de layouts. Os layouts são basicamente arquivos HTML sem a seção <body> do html, e servem justamente para que não precisemos ficar repetindo estas informações toda hora. A classe View vai combinar layouts e templates para construir a página. De forma simplificada, portanto, podemos dizer que nossos templates são o corpo do documento html (<body>), e os layouts são o resto. Deu pra sacar?

O que os templates têm de especial? Nada, sinceramente. Especial é o acordo que fazemos para só utilizar html e funções de apresentação dentro deles. Isso é fundamental para que não misturemos lógica (que deve estar toda no controller) e apresentação (que deve estar toda no template). Se você começar a usar outras funções que não echo, print ou foreach (ou alguma outra função de formatação, tipo printf ou number_format) dentro dos templates você vai voltar imediatamente pro inferno.

Alguns caras levaram isso tão a sério que chegaram a criar linguagens especiais só para não usar PHP dentro dos templates. O Smarty, um dos mais poderosos sistemas de template já escritos em php, faz exatamente isso.  Eles criaram tags especiais para cada uma das funções PHP de apresentação, além de terem bolado uma série de outras interessantes. Ao invés de escrever algo tipo


<h1><?php echo $nome ?></h1>


no Smarty você escreveria

 

<h1>{$nome}</h1>

Bem interessante, não? Isso força o programador a utilizar somente os comandos do Smarty, que são somente de apresentação.

Mas veja que desenvolver uma solução como essa dá bastante trabalho: no fundo, toda essa codificação especial precisa ser transformada novamente em PHP alguma hora. Os críticos dizem que isso é desnecessário e prejudica a performance, já que o PHP oferece todas essas funções nativamente. Bem, os caras do Smarty (e de outros template engines que existem por aí) contra-atacam dizendo que todos os templates são compilados e cacheados em PHP, de forma que a diferença de performance é mínima.

Nós não temos aqui a pretensão de escrever um Smarty; o caminho mais simples é usar PHP puro. Este, portanto, é o caminho que vamos seguir.

Vamos à nossa descrição genérica da classe View:

Class View
Propriedades

$data

Array associativo contendo todas as informações dinâmicas de modelos e coleções.

$url

String com a url que está sendo acessada.

$layout

String com o nome do layout a ser utilizado. O Default é nulo, o que irá fazer com que a classe View utilize um layout padrão.

$baseurl

String com a url base do site para facilitar a montagem de links e caminhos de arquivos.

 $variables

Array associativo que pode conter outras variaveis genéricas definidas pelo controller.

 

Métodos

render($action,$layout)

Imprime a ação $action usando o layout $layout. Os defaults são a ação corrente e o layout default.

setVariable($variablename,$value)

Define uma variável para uso no view.

setPageTitle

Define o título da página a ser impressa (na tag <title>)

renderError($error)

Imprime uma página de erro utilizando o layout default para erros.